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domingo, 7 de fevereiro de 2021

EU E O BBB

 


EU E O BBB.
 
Antes de mais nada, quero dizer aos meus cinco leitores que eu, particularmente, não assisto o BBB e que não faço nenhum tipo de juízo sobre quem assiste. Da mesma forma que assisti “novelas globais” durante uns 30 anos da minha vida, assisti várias edições do mais famoso “Reality Show” da TV brasileira.
 
Este ano temos a 21ª. Edição do programa, ou seja, são quase duas décadas que o tal “Big Brother” acontece aqui no Brasil (o primeiro e segundo BBB foram transmitidos em 2002, a partir de 2003, o programa se tornou anual).
 
Para quem não conhece a história do “Big Brother”, esse formato de programa foi concebido pela produtora de televisão holandesa chamada ENDEMOL. Em uma quinta-feira, no dia 4 de setembro de 1997, durante um “brainstorm”, John de Mol, um dos sócios da empresa, teve a ideia de replicar para a televisão o experimento da “Biosfera 2” (experimento realizado entre 1991 e 1993 onde um grupo de pessoas ficaram confinadas em um ambiente hermeticamente fechado e que, até onde se sabe e com algumas ressalvas, foi um grande fracasso). E o nome do Show, nem precisa de explicações, vem do “Orwelliano” mundo distópico descrito no livro 1984, escrito por Eric Arthur Blair, mais conhecido por George Orwell.
 
"Big Brother is watching you." (“O Irmão Mais Velho está observando você.”) – No fictício mundo de 1984, todas as pessoas são observadas e vigiadas. Enfim, assim nasceu o fenômeno mundial chamado “Big Brother”.
 
FENÔMENO POP
 
Gostando ou não, é impossível ficar indiferente ao que acontece na casa. Este ano, mais do que em qualquer outra edição, acrescentou-se um elemento diferente. Uma seleção de celebridades (e subcelebridades) foi colocada na casa junto dos anônimos, meros mortais, que buscam objetivos diversos.
 
Penso que alguns “deuses” do Olimpo Midiático desceram para estar com alguns mortais. É um encontro de ídolos e fãs para alguns e uma baita surpresa para outros que apenas se perguntam “esse é o famoso, quem???”.
 
Aqueles que estão de fora e que sempre estão “espiando” a casa fazem um “raio-x” de cada pessoa que está lá. As crises, as brigas, as desavenças, as paixões, as personalidades afloradas e potencializadas, o próprio jogo, o “poder” de decidir sobre a permanência de alguém no jogo, a interatividade, enfim... tudo isso tempera e atrai um público cada vez maior.
 
“VOYEURISMO”
 
De fato, o ser humano é curioso a respeito do outro ser humano! Embora haja uma condução de como o programa vai se desenrolar durante esses 100 dias, é o que está fora do roteiro que atrai o grande público. Bisbilhotar, ouvir conversas privadas, discutir o caráter e motivações de cada jogador (já passou a época que “seguia o coração” durante o programa), a movimentação das peças humanas, torcer por um ou por outro, se decepcionar com as atitudes do seu favorito, discutir ferozmente nas redes sociais defendo seu jogador... tudo isso faz parte e que, mais uma vez, torna o programa algo extraordinário.
 
PETELECO E EMÍLIA
 
Criado pelo famoso ventríloquo brasileiro Oscarino Farias (que faleceu em 2018 os 80 anos), Peteleco era o boneco que Oscarino dava vida. Mas, ora, o boneco do ventríloquo sempre exprimia a vontade do seu criador. Embora, parecesse de personalidade tão diferente, o boneco só fazia a vontade do seu criador.
 
Emília, como todos sabem, é uma personagem criada por Monteiro Lobato. Ela, segundo a literatura, foi feita por Tia Nastácia e para Narizinho. Ela nasceu muda, mas quando curada pelo “Dr. Caramujo” que lhe receitou uma “pílula falante”, ela desembestou a falar, e falar e falar... Também conhecida por "abrir sua torneirinha de asneiras".
 
Novelas, filmes, séries, contos, livros... tudo isso é “Peteleco”. Por mais surpreendente que seja a trama, tudo tem um fio condutor e roteiro de cada criador.
 
Reality show é “Emília”. E o BBB é um programa com 20 “Emílias” que costumam “abrir suas torneirinhas de asneiras” diante de milhões de pessoas que julgam cada uma de suas ações e palavras.
 
PSICOLOGIA, SOCIOLOGIA E COSMOVISÕES
 
Inegável que programas como este acabam influenciando de alguma forma uma parcela da sociedade. Há uma proliferação de sotaques e expressões que podem viralizar durante o tempo que o programa está no ar.
 
Como fenômeno sociológico é possível debater a respeito das representações, da individualidade, a convivência entre estranhos que acabam formando seus grupos de afinidade.
 
Mas, porque as pessoas se envolvem tanto e de forma tão emocional e, muitas vezes, de forma tão visceral? De alguma forma, as pessoas buscam algum tipo de identificação, seja por encontrar alguém que pensa como você, seja por alguém que você gostaria de ser ou, ainda, por alguém que te confronta exatamente naquilo que você é.
 
Preciso lembrar que ali, diante dos olhares de todos (alguns mais atentos em seus pay-per-view's e outros dependentes dos resumos editados) estão as narrativas de cada um. Esses humanos (demasiadamente humanos) e suas personalidades (e personas) escondem algo mais profundo que, na concepção cristã, está dentro de cada coração. É uma questão religiosa (que aceitando ou não, o problema está lá pois como disse Jesus, “seu tesouro está onde está seu coração” e “a boca fala daquilo que o coração está cheio).
 
O Dr. Gerrit Glas (médico, psiquiatra e filósofo holandês), influenciado por Dooyeweerd, nos dá uma pista sobre isso quando diz que “a questão do homem é uma questão religiosa”. Sim, existe uma questão religiosa ligada em cada fala, em cada atitude, em cada visão de mundo.
 
Essa questão, que não dá para se aprofundar aqui, remete tanto aos participantes quanto a todos que se envolvem, ou não, com o BBB.
 
É importante dizer, também, que não existe neutralidade em nada do que nos cerca. BBB é um ótimo entretenimento, não nego isso. E podemos lançar vários tipos de olhares sobre o programa (até mesmo “torcer o nariz” e desdenhar de quem acompanha as dezenas de narrativas que se cruzam por ali).
 
Ali, não são heróis ou vilões, são pessoas reais. São universos que se chocam! Capazes de atos virtuosos em um momento e de “trair” em outro (afinal é um jogo e tem uma “bolada” como prêmio). Esse choque de universos ou “cosmovisões” podem provocar aquilo que está mais escondido dentro de cada um. Como todos os participantes dizem ao sair: “lá dentro tudo é muito intenso”!!! São diante dos desafios, privações ou “desertos” que o coração é provado e que se conhece do que “o outro é feito”!
 
E por fim, como cristão convicto e um pouco mais vivido, eu não “demonizo” este tipo de programa. Ao contrário, fico atento e tento ler nossa sociedade a partir disso, pois assim como o “game” se transformou e se modificou nesses quase 20 anos, nossa sociedade com seus interesses e pensamentos também se modificaram.
 
E se você leu até aqui, meu MUITO OBRIGADO!!!
 
Cláudio Regis

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

MINHA OPINIÃO SOBRE O QUEERMUSEU


Parafraseando a suposta frase de Voltaire: Posso não concordar com o que você diz, posta ou chama de “arte”, mas defenderei o seu direito de dizer, postar ou manisfestar sua arte!!!

Pois bem, farei uma breve manifestação sobre o quiproquó gerado pela exposição “queermuseu”.
Depois de ler algumas coisas tanto dos defensores como dos detratores da polêmica exposição, formei, claro, uma opinião pessoal sobre o assunto.

Por força da minha formação, estudei um pouco de História da Arte e, obviamente, aprendi os conceitos básicos do que chamamos “arte”.

O que é arte? Segundo o Wikipedia é a atividade humana ligada às manifestações de ordem estética ou comunicativa, realizada por meio de uma grande variedade de linguagens, tais como arquitetura, desenho, escultura, pintura, escrita, música, dança, teatro e cinema, em suas variadas combinações. O processo criativo se dá a partir da percepção com o intuito de expressar emoções e ideias, objetivando um significado único e diferente para cada obra.

Ora, bem vemos que a manifestação artística é bem ampla e a percepção do que é, ou não, pode-se mudar de acordo com cada indivíduo ou grupo.

Tem gente que gosta de música clássica, eu gosto de rock, mas, pasmem, tem muita gente que gosta de “funk carioca”, rs. Ou seja, a arte também passa pelo gosto pessoal de quem a consome (haveria um outro debate sobre essa questão do “consumo”).

Voltando às minhas aulas de “história da arte”, lembro que, para nós adolescentes, o chamado “dadaísmo” era o que mais causava estranheza e riso... quem não lembra da famosa “escultura”, de Marcel Duchamp, chamada “A fonte” (um urinol comum, branco e comprado em uma loja de de construção). Então entendemos que a arte, ainda que conceitual, é um campo vasto para múltiplas manifestações e interpretações.

Mas vamos às minhas parcas “opiniães” (como diria Guimarães Rosa):

1. Sou contra quaisquer tipos de censura. Seria hipócrita de minha parte defender meu direito de expressar minha opinião (ainda que recebendo as devidas “porradas”) e excluir o direito do outro.

2. Faltou bom senso tanto do curador quanto do Banco apoiador. Lembro que quando íamos às locadoras de vídeo existia um lugar à parte com os vídeos para maiores. Ali existia uma placa dizendo que era proibida a entrada de menores e quais os tipos de filmes estavam lá. Uma classificação do tipo de “arte” que estaria lá, já evitaria 99% da polêmica causada. Vejo como degradante e sem propósito este tipo de “arte”, mas vê quem quer! Quanto às crianças, elas nem deveriam passar por lá!!! Nem preciso falar que certas situações retratadas poderiam se enquadrar, talvez, no código penal.

3. Dói saber que foi utilizado dinheiro público para isso. Um banco privado que tem lucros bilionários não precisa de dinheiro público para promover esse tipo de “arte”. Acredito que o banco possa gastar seu dinheiro como bem entender, assim como eu gasto o meu. Mas fico P. quando vejo dinheiro público indo para o ralo mais uma vez.

4. Sou a favor do boicote! Já que faltou bom senso, esteja preparado para as reações contrárias (sempre esperando que seja no campo das ideias). Tenho o direito de sentir-me ultrajado, enojado, desrespeitado e roubado (olha o dinheiro dos meus impostos). O banco perdeu muitos clientes e recebeu zilhões de críticas contrárias e isso faz parte do jogo. Institucionalmente, perderam muito mais... Isso fará que pensem duas vezes antes de apoiar qualquer coisa.

5. Tem um princípio muito básico no marketing: defina seu público alvo e as personas. Isso serve para muitas coisas. Serve para o comércio, para a indústria, para um evento, para uma palestra e, claro, para uma exposição.

6. E por fim, quero dizer que o que vi nas poucas obras divulgadas não está longe do que já se vê na programação diária da TV aberta que muitos assistem todos os dias.

Sou um cara que gosta de ideias! Eu posso mudar de opinião a qualquer momento (basta me convencer). Veja, para mim, a exposição, no formato que seguiu, foi totalmente desnecessária. Entendo que são obras que já circulam por aí há 20, 50 ou 100 anos... Mas faltou razoabilidade e, principalmente, responsabilidade!

Arte, eu sei, pode provocar e nos tirar de “zonas de conforto”. A arte pode gerar reflexão e até mesmo algum tipo de libertação (de preconceitos, de ideologias, de crenças limitantes...), mas só é possível esse efeito se, de alguma forma, gerar um mínimo de simpatia.

Um grande abraço a todos!