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quarta-feira, 17 de novembro de 2021

USANDO BORBOLETAS (17/30)

 



USANDO BORBOLETAS

 

“A maior riqueza do homem 
é a sua incompletude. 
(...) 
Perdoai 
Mas eu preciso ser Outros. 
Eu penso renovar o homem usando borboletas. 

 - Manoel de Barros 

 

Para Manoel de Barros, “ser Outros” era sair do casulo. Sair da rotina. Se aventurar em prosas e poesias tornando-se tão “Outro” quanto podia. Não aceitava ser apenas aquele sujeito que mantém aquela rotina de todos os dias. Ele precisava se “metamorfosear” de alguma forma.


Fernando Pessoa, talvez tivesse a mesma sensação de incompletude e por isso criava tantas “almas” quanto possível. Dizia ele:


"Não sei quantas almas tenho. 
Cada momento mudei. 
Continuamente me estranho. 
Nunca me vi nem achei. 
De tanto ser, só tenho alma. 
Quem tem alma não tem calma."


Talvez ser “outro” seja apenas ser você mesmo! Apenas sair de sua caverna ou casulo... enxergar, como disse o Saramago, a ilha saindo da ilha.


Confesso que ando um tanto cansado! Já é tarde... mas, “não quero ser apenas um sujeito que abre portas, (...) que olha o relógio” para entrar ou sair de casa todos os dias, de sol a sol... pois, já dizia Salomão, “isso nada faz sentido”.


Sei que estou “viajando”! Mas, a borboleta me renova e me permite ser outro.


terça-feira, 25 de maio de 2021

DIÁFANOS


DIÁFANOS


“Foi o tempo que dedicaste a tua rosa que fez a tua rosa tão importante.” - Antoine de Saint-Exupéry
(Trecho de "O Pequeno Príncipe”)


Todos já sentimos o peso de uma máscara. Falo isso no sentido metafórico, mas a verdade é que estamos em todo momento fugindo de algum tribunal. Tribunal da família, tribunal da sociedade, tribunal dos desconhecidos e o tribunal de si mesmo. Este, talvez, seja o pior e o mais implacável de todos eles.


Ansiamos, de alguma forma, nos sentir seguros para tirar tais máscaras (e são muitas pois sobrepomos muitas delas conforme cada ocasião). Pois por trás destas, sentimos medo, vergonha, paixões, amores, raiva, mágoas. Represamos nossas águas ou retemos o fogo de um vulcão.


Acontece que, às vezes e somente ás vezes, conseguimos encontrar algo, alguém ou até nós mesmos que ousam chegar perto o suficiente para enxergar além das armaduras e muros que nos cercam... em um ato de rebeldia nos deixamos tocar, mesmo que por um instante, por um toque que julgamos ser diferente.


Há um pássaro selvagem querendo voar. Um rio caudaloso que quer inundar. Um mar profundo, revolto e cheio de vida querendo emergir. Há um vulcão cheio de “fúria” querendo mostrar sua força e beleza.


O fato é que tememos ser o que somos! Tornamos-nos opacos e sem transparência. Escondemos nossa essência e nos abrimos para alguns raros. E esse raro é o que importa porque este é quem vê a transparência de um olhar ou consegue ler cada entrelinha entrelaçada em meio às palavras.


Sim... o mar se torna transparente mostrando toda sua beleza. O rio, com suas curvas, gera vida e paz. O pássaro voa livre e volta sempre. O vulcão se torna belo porque explodiu em calor e força.


Tamanha diafanidade, contudo nos tornam vulneráveis. Só posso dizer que vale a pena! São pequenas lagartas que precisamos suportar para poder ver as borboletas.


segunda-feira, 10 de maio de 2021

UMA BORBOLETA ME DISSE

 

(imagem: www.lojinhadoteo.com.br)



UMA BORBOLETA ME DISSE

"As nossas linhas... se não fossem tortas, não teriam se encontrado." - Morada (Sandy)


Encontrei uma borboleta. Ela me disse que seu nome era Beĩ e me explicou que seu nome significava "um pouco mais" em Tupi. E sua vida foi, assim, sempre "um pouco mais"!

Beĩ, bela e livre! Todavia, disse-me que a vida de borboleta não é fácil, é perigosa visto que há muitos predadores no mundo que costumam atacar de forma traiçoeira. Ela me mostrou várias de suas cicatrizes adquiridas na vida e no tempo.

Fiz um pacto de amizade com Beĩ. É um pacto simples: ser verdadeiros, corajosos e transparentes.

Clarice Lispector desenvolve a tese de que ficamos diferentes quando juntos de nossos amigos! Acho que ela tem razão! Davi, Rei de Israel, dizia que sua amizade com Jônatas era mais importante que o "amor da mulheres"! E a verdade, comprovada por tantas histórias de amizade, é que precisamos, sim, de amigos para enfrentar a vida!

Assim, com um começo despretensioso, encontrei Beĩ! Uma borboleta ocupada em ser borboleta! Mas, que vez ou outra pousa por perto. Pousa para descansar, contar histórias, ouvir ou, apenas, ficar em silêncio junto com o meu...

Pois bem... Contei para ela coisas profundas e sentimentos ocultos.

Ela acolheu, beijou meu rosto e disse:

"E eu desejo que a gente consiga se reunir em outro nível de vínculo. 
Também te desejo caminhadas à beira da praia e vento no rosto
Te desejo voos de pipa e companheirismo de filho. 
Te desejo individualidade, mesmo acompanhado, coragem e liberdade
Te desejo os sorrisos que sorríamos às segundas-feiras, para todos os dias. 
Te desejo abraços intermináveis de filha e colo de mãe. 
Te desejo sonhos sonhados, não os comprados na padaria. 
Te desejo vulcões ativos e mergulhos profundos
Te desejo uma dança de olhos fechados e um banho de chuva.
Te desejo um livro, no qual você possa ler e contar sua própria história."

Espero que haja tempo para todas essas coisas...

Obrigado, Beĩ!!!