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quarta-feira, 10 de novembro de 2021

QUAL O SEU MAIOR DESAFIO? (10/30)

 


QUAL O SEU MAIOR DESAFIO?

 

Mais uma vez chega o fim do dia e não tenho a mínima ideia do que poderia falar aqui hoje. O tempo passa, como sempre, e minha mente continua travada diante da “folha branca” (eu falei sobre isso no começo do ano).


No entanto, conversando com uma amiga, ela compartilhou uma pequena vitória em sua vida. Ela completou sua primeira corrida de 5km. Nossa! Como fiquei feliz por ela!  Ela comentou sobre a sensação de chegar no final, a superação dos limites e de como tudo parecia tão difícil! Eu disse para ela que essa sensação é incrível pois, passei por isso, também!


Gosto muito de uma crônica da Clarice Lispector chamada “Se eu fosse eu” (depois pesquisem por aí), onde ela diz de forma muito clara que esse “’se eu fosse eu’ parece representar o nosso maior perigo de viver, parece a entrada nova no desconhecido...”. E de fato, como li recentemente, em um artigo no Linkedin, “seus sonhos são realmente seus?”. A pergunta longe de ser apenas retórica, nos remete até à infância e questiona se as escolhas que fizemos foram, realmente, escolhas conscientes.


Muitas vezes, em nossas vidas, apenas “seguimos o fluxo”, não manobramos nosso frágil barquinho e apenas deixamos o rio nos levar... 


A pequena (gigante vitória) de minha estimada amiga me fez lembrar de como é possível, com vontade e disciplina (nem sempre com tanta disposição) é possível contar novas histórias e abrir as janelas para novos mundos. 


“Se eu fosse eu...” representa parar de fingir ou ter medo! Queremos, de alguma forma, ser perfeitos! Ora, quero escrever textos perfeitos todos os dias. Quero que alguém possa ler e dizer “wow”! Todavia, não é como andar de bicicleta! 


Hoje, lembrei (ou fui lembrado) de que somos quem somos quando nos desafiamos! Somos quem somos, quando rompemos nossos próprios limites e os casulos que nos envolvem.


Ela me disse o seguinte: “Esse ano me ensinou muito, viver um dia de cada vez e apreciar os detalhes. Ser amante da vida... diariamente!”. Não tem melhor definição de felicidade (Nizan Guanaes que o diga)! 


Quer ser feliz? Seja você! Esse é o desafio! Ahhh, se eu fosse eu... 


Beijo para quem é de beijo e abraço para quem é de abraço.

quinta-feira, 22 de abril de 2021

SE EU FOSSE EU

 



SE EU FOSSE EU
Por Clarice Lispector
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“Quando não sei onde guardei um papel importante e a procura se revela inútil, pergunto-me: se eu fosse eu e tivesse um papel importante para guardar, que lugar escolheria? Às vezes dá certo. Mas muitas vezes fico tão pressionada pela frase “se eu fosse eu”, que a procura do papel se torna secundária, e começo a pensar. Diria melhor, sentir. E não me sinto bem. Experimente: se você fosse você, como seria e o que faria? Logo de início se sente um constrangimento: a mentira em que nos acomodamos acabou de ser levemente locomovida do lugar onde se acomodara. No entanto já li biografias de pessoas que de repente passavam a ser elas mesmas, e mudavam inteiramente de vida. Acho que se eu fosse realmente eu, os amigos não me cumprimentariam na rua porque até minha fisionomia teria mudado. Como? Não sei.
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Metade das coisas que eu faria se eu fosse eu, não posso contar. Acho, por exemplo, que por um certo motivo eu terminaria presa na cadeia. E se eu fosse eu daria tudo o que é meu, e confiaria o futuro ao futuro. “Se eu fosse eu” parece representar o nosso maior perigo de viver, parece a entrada nova no desconhecido. No entanto tenho a intuição de que, passadas as primeiras chamadas loucuras da festa que seria, teríamos enfim a experiência do mundo. Bem sei, experimentaríamos enfim em pleno a dor do mundo. E a nossa dor, aquela que aprendemos a não sentir. Mas também seríamos por vezes tomados de um êxtase de alegria pura e legítima que mal posso adivinhar. Não, acho que já estou de algum modo adivinhando porque me senti sorrindo e também senti uma espécie de pudor que se tem diante do que é grande demais.”
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*Crônica publicada no livro “A descoberta do mundo”.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

PROCUSTO

Nem todo lugar onde você se encaixa, serve para você.


Houve e há muitos momentos em minha vida que me sinto extremamente "inadequado". Ou pior, uma farsa, um "fake" ambulante.

Quantas expectativas eu pensava, porque depois descobri que eram coisas da minha cabeça, que as pessoas colocavam sobre mim.

Eu era/sou aquele cara "padrãozinho". Bom aluno, bom filho, bom moço, caseiro, dócil, amável, calado, que aguentava chacotas (e hoje chamam de bullying), não violento, tímido e que nunca dizia "não" para ninguém...

Além disso, muito pouco ousado em tantos aspectos da vida.

Com o passar dos anos (ou dos danos) percebo o quanto eu me "mutilava" ou me "esticava" para "caber" no mundo das pessoas, O "sim" que era pra ser um "não", o "não" que era pra ser "sim". As noites solitárias em casa apenas para não preocupar os pais...

Mutila, rasga, emenda, seja normal! Seja padrão! Seja o que a sociedade deseja que seja...

Lembro, há muitos anos, li Maquiavel e os conceitos de Virtu e Fortuna. A deusa Fortuna (a sorte, circunstância do tempo, a quem precisa conquistar) afortuna/abençoa/agracia aqueles que agem com Virtu (essa capacidade de enxergar além, de assumir as rédeas da vida, de viver e se entregar à vida).

Pois é, parece, quando olho para mim, não vejo tanto Virtu... mas, também, não vejo equilíbrio em minhas ações, pois sinto-me no outro oposto. Como ser agraciado pela Fortuna se apenas sou um mero expectador da vida???

Não digo que preciso lançar-me aos grandes empreendimentos ou, ainda, levantar um "digitus infamis" e declarar um "fuck off" pra todo mundo...

Salomão, em seu livro chamado Eclesiastes, diz que muitas coisas debaixo do sol não fazem sentido, por isso recomenda desfrutar das das coisas simples como "beber, comer e se alegrar. Ele ainda diz para não ser excessivamente justo, sábio, ímpio ou tolo porque tudo isso pode trazer destruição (e a vida passa). São palavras simples e intrigantes.

Confesso que não comecei bem esse ano. Confesso que há dentro de mim, parafraseando Clarice Lispector, um desejo de algo que ainda não tem nome.

Virtu não é garantia de nada! O que Maquiavel chamava de "Fortuna" é na verdade uma "grande loteria"

Façamos algumas apostas!!!

*Procusto, na mitologia grega, era um bandido que possuía uma cama (malandramente eram duas camas com tamanhos diferentesO onde viajantes eram convidados para se deitarem, Se os hóspedes fossem mais altos, ele amputava suas pernas e os que tinham pequena estatura eram esticados até atingirem o comprimento da cama