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sábado, 13 de novembro de 2021

5 ESCRITORES QUE ME INSPIRAM (13/30)



ESCRITORES QUE ME INSPIRAM

 

Ler, para mim, é mais que um hobby ou passatempo. Sempre mantive muita curiosidade e comecei a ler muito cedo. Das HQ´s para os livros, foi um passo natural para mim. Além disso, lia tudo o que aparecia na minha frente, desde jornais de gosto duvidoso (alguém lembra do “Notícias Populares”?) até revistas semanais com o resumo das notícias da semana.


Eu não tinha tanto acesso aos livros como gostaria... o que garantia a leitura era a “obrigação” de ler os paradidáticos da escola (a maioria daquela antológica coleção chamada “vagalume”) ou quando aparecia a oportunidade de ler outros tipos de textos.


Com minha entrada no SENAI aos 14 anos, comecei a ter acesso a biblioteca da escola que, além dos livros técnicos, tinha um bom acervo de livros com assuntos bem diversificados.


Nunca alimentei, de modo geral, um interesse por apenas um autor específico... pois, acabo gostando de muitas coisas ao mesmo tempo.


Sem mais delongas, compartilho a minha lista particular de notáveis.


FERNANDO PESSOA. Esse é o nome que digo quando me perguntam quem é o meu escritor preferido. Sem qualquer hesitação, sempre vou responder seu nome. Ele é um gigante dentro da literatura universal. Quando estou um tanto desanimado, é ele quem escuto dizer “sê inteiro... sê todo em cada coisa...”


C.S. LEWIS. Ele é mais conhecido por ser o autor de “As crônicas de Nárnia”, livro que “devorei” há uns 20 anos... Embora eu sempre lesse alguns fragmentos de seus escritos, demoraram alguns anos para ler na íntegra outros de seus livros. Não saberia dizer quais livros seriam meus favoritos. A profundidade dos seus escritos é algo espetacular.


MIA COUTO. Ler Mia Couto é mergulhar em um universo paralelo. Seus neologismos, suas alegorias, a sensibilidade com seu povo, a poesia e o lirismo que se encontra em cada linha. Impossível não ser arrebatado lendo seus livros. Sou muito grato a pessoa que me apresentou seus livros. Mal chegou e virou “top 3” em minha lista.


FERNANDO MORAIS. Confesso que li apenas dois de seus livros: A biografia de Olga Benário (Olga) e a biografia de Assis Chateaubriand (Chatô, O rei do Brasil). Apesar dos muitos anos que li, esses dois livros marcaram bastante.


ARIANO SUASSUNA. Gênio! Gênio! Gênio! Você pode ler qualquer coisa dele ou assistir qualquer uma de suas peças teatrais que você terá aquela sensação de “como foi que ele pensou nisso?”.


Essa lista, sem dúvida, poderia ter um tamanho maior... Há dezenas de escritores (consagrados ou não) que me inspiram por diversos motivos. Mas, são esses, por enquanto, que nutro muita admiração quando penso na arte de escrever.


E você, tem algum preferido? 

CONEXÃO (12/30)

 


CONEXÃO

 

Como ferro afia ferro, assim um amigo afia o outro. - Provérbios 27:17 

“... conexões mentais são raras.” - Autor desconhecido 

 

Talvez, você não possa ter percebido, mas faço parte do contingente de 1/3 da população mundial que convencionou-se chamar de “introvertidos”. Sim, sou um introvertido (embora, tenho uma pequena desconfiança de que sou ambivertido, mas isso é papo para outro dia)!!!


Na infância e adolescência fui um rapaz solitário (e bem esquisito), muito tímido (não confunda isso com a própria introversão pois, bem sabemos, que podemos controlar a timidez e outros aspectos relacionado nas diversas situações sociais) e com poucos amigos.


A introversão, como traço de personalidade, não posso mudar nada e, sinceramente, depois que compreendi melhor isso, fiquei um pouco mais acomodado com isso (O livro “O poder dos quietos”, de Susan Cain, me ajudou muito quanto a isso), mas a timidez, tão crônica durante boa parte da minha vida, embora tenha conseguido minimizar bastante, continua latente em mim. Obviamente, com o passar dos anos e por força do meu trabalho, consigo controlar um pouco mais essa timidez (sempre lembro da música “timidez” da banda Biquini Cavadão, rs). Como costumo dizer, sou um tímido em recuperação.


A introversão e a timidez, de alguma forma, colocaram em mim uma estranha capacidade de “ler” um pouco mais as pessoas, observar de longe certas situações ou ainda compreender certas “entrelinhas”!


Obviamente, como um garoto normal, eu tinha atração por muitas garotas (o desejo, ah, o desejo, algo tão prosaico e natural quanto comer ou beber, mas que pode se transformar em cobiça ou ídolo), mas o que realmente me atraía era quando havia uma conexão de mentes. E como já foi dito em tantos lugares, as “conexões mentais são raras...”.


Dito isso, penso o quanto é importante valorizar tais conexões. Conheço um bando de gente (acho que atraio algumas dessas pessoas) com certa “fobia social” e tenho uma leve desconfiança que isso se deve a tanta superficialidade que encontramos no mundo de hoje (Titio Zyg Bauman tem toda razão). Ora, pense comigo... imagine estar entre pessoas (ou apenas uma) que você pode se abrir, tirar todas as suas “máscaras”, deixar suas “personas” em segundo plano e ser apenas você! Ser acolhido em todas as dimensões, mas com propósito de melhorar e crescer como pessoa. O “ferro afia o ferro” ou, ainda, como apregoam por aí, “você é a média das pessoas com quem você anda”.


C.S. Lewis escreve no seu livro “Os quatro amores” sobre a Amizade e diz que “a Amizade é o menos natural dos amores; o menos instintivo, orgânico, biológico, gregário e necessário”. E ele tem razão, pois é possível “viver e procriar sem Amizade”. Mas, é somente entre os amigos que nos revelamos totalmente, que mostramos nossas facetas através das luzes de nossos amigos. Lewis compara a Amizade ao próprio Paraíso por “proximidade de semelhança”!!! São as “panelinhas” que encontramos nos clubes, nos bares, nas escolas, nas igrejas (apenas ressalto que, embora tais grupos sejam, de modo geral e em um sentido bem restrito, “exclusivos”, não se pode fazer disso uma “desculpa” para menosprezar outros grupos ou pessoas)... Tudo começa com “O quê? Você também? Eu pensava que era único!”.


Há muito que se poderia dizer sobre a Amizade, “o mais espiritual dos amores” e ontem pude reconhecer e perceber o quanto é bom estar entre amigos. Cheguei tarde em casa, e por isso, não postei em tempo o texto do dia, porque, sem dúvida, eu estava entre as pessoas mais importantes que conheci/conheço. Digo isso porque não basta reconhecer os amigos, você precisa ser reconhecido por eles. Querer fazer amigos, não torna você um amigo! Não há coincidência! Ainda que pareça acidental, é a forma que Deus encontrou de revelar nossas virtudes uns aos outros.


Beijo para quem é de beijo e abraço para quem é de abraço.


(Escrevi esse texto como forma de expressar minha gratidão a Deus pelo “Pequeno Grupo” da igreja que faço parte. Não é à toa que nossos “pequenos grupos” são chamados “Conexões”. Que Deus possa continuar abençoando cada Amigo que encontro por lá.) 

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

AXIOMAS (11/30)

 


AXIOMAS (11/30) 

 

Há aproximadamente 4 meses, terminei de ler o livro “12 regras para a vida” do psicólogo clínico canadense Jordan Peterson. Um livro, confesso, que me impressionou bastante, embora seja considerado de “autoajuda” (muitos livros, nesse sentido, dentro de um delimitador comercial, são considerados desta forma).


O livro foi escrito de forma despretensiosa a partir de respostas que ele dava em um fórum de perguntas e resposta chamado “Quora”.


Resumidamente, ele elaborou “um antídoto para o caos” tendo por base suas 12 regras, ou seriam axiomas? 

Axiomas são, de forma simplificada, provérbios ou máximas que expressam verdades sem a necessidade de demonstração. Mas, o mais interessante é que o Jordan, a partir de informações retiradas da psicologia, da antropologia, da biologia, da filosofia ou da história, extrai um profundo conhecimento e junto com muitos dados interessantes.


Eu, particularmente, identifico-me muito com o estilo de escrita do autor. Em cada uma das leis, ele começa a discorrer sobre um assunto extremamente amplo e, aparentemente, sem qualquer correlação com assunto. Tem-se a impressão de que o texto vai se espiralando e se afunilando até o momento que se chega ao ponto de que se quer chegar. Embora escrito de forma pouco rebuscada, há um nível de detalhes impressionantes. 

Neste momento enquanto escrevo, começo a lembrar de outros livros que trazem “regras de ouro”, “lições preciosas” ou “axiomas”. Não sou um tradicionalista, mas prezo por algumas tradições, afinal como alguns dizem, “o melhor caminho é aquele que você já conhece”.


(Não estou dizendo que não devemos questionar os paradigmas estabelecidos, mas saber o porquê de cada coisa. Lembrei de um poema, escrito por Sam Walter Foss [1858-1911], chamado “o trilho do bezerro” onde ele conta que passados 300 anos após um bezerro deixar seu rastro, os homens continuam seguindo seu tortuoso caminho deixado sem pretensão.)


A respeito de certos axiomas, C. S. Lewis fala sobre eles, mas com outro nome, chama-os de “Tao” (ele usa uma terminologia chinesa como algo parecido como “caminho”, “verdade”, “razão”, “lei moral”, “prática” ou “princípios”...). Em seu livro “A abolição do homem”, ele propõe que “ideologias”, que são fragmentos do próprio “Tao”, são como ramos que se rebelam contra a própria árvore e que, por fim, destroem a si mesmos. 

Enfim, regras, axiomas ou, ainda, “Tao”. Não importa como você vai chamar. Dê uma chance aos pioneiros, questione tudo, mas não deixe de enxergar certas verdades que já foram testadas e aprovadas pelo tempo.


Beijo para quem é de beijo e abraço para quem é de abraço. 

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

O QUE FAZ VOCÊ FELIZ? (3/30)

 


O QUE FAZ VOCÊ FELIZ? (3/30)


A pergunta do título foi a provocação que meu psicólogo fez há alguns dias! 

Cláudio, o que faz você feliz?

Vixe! Que pergunta difícil! Na hora, minha cabeça se encheu de definições e teorias!

(E aproveito o ensejo para um pequeno “entre parênteses”... sempre tive a sensação de viver a vida com muita teoria e pouca prática. Sempre me entupi de informações sem descobrir, efetivamente, o que fazer com elas.)

Fiquei desconcertado. Falei da “eudaimonia” de Aristóteles, a “beatitude” de Agostinho e cheguei na “Alegria” ou “borealidade” de C. S. Lewis. Mas, não era isso que ele perguntou. A pergunta é simples, mas nada é simples para uma mente tão caótica como a minha. Por fim, saí da sessão com um “não sei” como resposta e a certeza de que eu precisava encontrar dentro de mim qual é o meu “bliss” (na icônica frase “follow your bliss” de Joseph  Campbell, tem-se a sensação de que não é possível traduzir “bliss” por mera “alegria”, mas algo como “aquilo que faz seu coração vibrar”).

Lembro que no final do ano passado o grande publicitário Nizan Guanaes colocou como título em seu texto de fim de ano a seguinte pergunta: Você aguenta ser feliz?

Pois é, não basta encontrar sua Alegria, é preciso encarar a Alegria e aguentar ser feliz.

Mas, estou fugindo do tema (e quem me conhece bem de perto, sabe que adoro “abrir muitas abas” sobre diversos assuntos afins, ou não)... Fujo, obviamente, porque ainda não sei responder.

Estou testando algumas das tantas “teorias” que povoam minha alma e escrever um texto por dia, apesar de difícil em certos momentos, dá uma sensação de Alegria.

De qualquer forma, tenho consciência de que, ainda que eu não tenha encontrado tal “felicidade”, há elementos que podem, certamente, nos desviar deste caminho que considero de autoconhecimento. Medo, controle, culpa ou, até mesmo, prazeres temporários que desvirtuam a verdadeira sensação de Alegria.

Então, Cláudio Regis, qual a sua Alegria? O que faz você feliz?

Ainda não sei! Entretanto, o que posso dizer é que procurar por ela já me dá uma ponta de Alegria.

#novembro #desafio #desafio30dias #challenge

terça-feira, 2 de novembro de 2021

FERIADO (2/30)

 



FERIADO

Hoje é feriado! E juro que tentei escrever este texto logo de manhã! Mas, fracassei de forma miserável... afinal, eu tinha o dia inteiro para fazer isso e como contei, vou deixando tudo para a última hora. 

E não adianta, Calíope ou Melpômene (duas das nove musas, filhas de Zeus e Mnemonise, que segundo a mitologia grega, inspiram os homens nas mais diversas artes) não deram ar da graça para me ajudarem na tarefa de hoje.

De qualquer forma, hoje era um dia de relaxar e visitar minha mãe.

Minha mãe é uma pessoa extraordinária! Sempre de bom humor! Impossível ficar indiferente a sua fantástica e singular risada e suas piadas, que conheço há 40 anos. Ela é uma ótima contadora de histórias (muitas vezes mistura realidades, lembranças e um pouco ficção).

Fiquei feliz em passar um curto tempo com ela, mas, hoje fiquei um pouco triste.

Minha mãe já é diagnosticada com Alzheimer há alguns anos e, a princípio, ela manteve durante bastante tempo certa autonomia contudo, é mais que perceptível sua fragilidade.

Certamente, quem a conhecer hoje, não vai perceber nada! Inclusive, vai pensar que ela está ótima e que nós, filhos, que estamos exagerando nos cuidados com ela. Até o ponto de você acreditar que eu ou minha irmã estamos mantendo-a “presa” em casa sem deixá-la sair para lugar nenhum.

Sim... fiquei um pouco triste porque pela primeira vez, eu soube que durante um instante ela não lembrava quem eu era. E sinceramente é difícil assimilar tal coisa...

No livro “Surpreendido pela alegria”, autobiografia de C. S. Lewis, ele descreve como foi para ele perder a mãe de forma gradual, à medida que ela lentamente se retirava da vida dele e de seu irmão (ela morreu de câncer quando ele tinha 10 anos de idade). Embora, eu seja homem feito e com filhos grandes, acredito que não tenho como descrever senão da mesma forma que o dileto escritor.

Tenho imensa gratidão pelos muitos anos de convivência com minha mãe, todavia é duro perder um pouco dela a cada dia. Minha gratidão se estende à minha irmã que de forma quase incansável tem cuidado dela com tanto zelo e carinho.

Tenho total consciência de que a doença dela, ainda, é incurável e irreversível. Os tantos remédios retardam os efeitos, prolongam a vida e dão mais alguns anos de dignidade.

Enfim, como bem disse o Mestre de Nazaré, basta a cada dia o seu mal... oro por serenidade em meu coração.