terça-feira, 2 de novembro de 2021

FERIADO (2/30)

 



FERIADO

Hoje é feriado! E juro que tentei escrever este texto logo de manhã! Mas, fracassei de forma miserável... afinal, eu tinha o dia inteiro para fazer isso e como contei, vou deixando tudo para a última hora. 

E não adianta, Calíope ou Melpômene (duas das nove musas, filhas de Zeus e Mnemonise, que segundo a mitologia grega, inspiram os homens nas mais diversas artes) não deram ar da graça para me ajudarem na tarefa de hoje.

De qualquer forma, hoje era um dia de relaxar e visitar minha mãe.

Minha mãe é uma pessoa extraordinária! Sempre de bom humor! Impossível ficar indiferente a sua fantástica e singular risada e suas piadas, que conheço há 40 anos. Ela é uma ótima contadora de histórias (muitas vezes mistura realidades, lembranças e um pouco ficção).

Fiquei feliz em passar um curto tempo com ela, mas, hoje fiquei um pouco triste.

Minha mãe já é diagnosticada com Alzheimer há alguns anos e, a princípio, ela manteve durante bastante tempo certa autonomia contudo, é mais que perceptível sua fragilidade.

Certamente, quem a conhecer hoje, não vai perceber nada! Inclusive, vai pensar que ela está ótima e que nós, filhos, que estamos exagerando nos cuidados com ela. Até o ponto de você acreditar que eu ou minha irmã estamos mantendo-a “presa” em casa sem deixá-la sair para lugar nenhum.

Sim... fiquei um pouco triste porque pela primeira vez, eu soube que durante um instante ela não lembrava quem eu era. E sinceramente é difícil assimilar tal coisa...

No livro “Surpreendido pela alegria”, autobiografia de C. S. Lewis, ele descreve como foi para ele perder a mãe de forma gradual, à medida que ela lentamente se retirava da vida dele e de seu irmão (ela morreu de câncer quando ele tinha 10 anos de idade). Embora, eu seja homem feito e com filhos grandes, acredito que não tenho como descrever senão da mesma forma que o dileto escritor.

Tenho imensa gratidão pelos muitos anos de convivência com minha mãe, todavia é duro perder um pouco dela a cada dia. Minha gratidão se estende à minha irmã que de forma quase incansável tem cuidado dela com tanto zelo e carinho.

Tenho total consciência de que a doença dela, ainda, é incurável e irreversível. Os tantos remédios retardam os efeitos, prolongam a vida e dão mais alguns anos de dignidade.

Enfim, como bem disse o Mestre de Nazaré, basta a cada dia o seu mal... oro por serenidade em meu coração.

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